Transe e/ou Possessão: Um enfoque clínico

Publicado: novembro 24, 2012 em Demonologia
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Geralmente as pessoas que se apresentam em transe (estado alterado de consciência) nem sempre serão portadoras de alguma patologia psiquiátrica. Na grande maioria trata-se da influência de elementos socioculturais na representação da realidade.

A influência da cultura nos sentimentos, afetos e comportamentos não devem ser, por si só, tomada como doença mental. Se assim fosse, um cordão de carnaval, aos olhos de outra cultura, por exemplo, poderia ser tomado como um batalhão de dementes.

Vamos então, descrever casos que comportam um diagnóstico médico e psíquico.

Alguns pacientes com Epilepsia do Lóbulo Temporal ou do Sistema Límbico podem sofrer exóticas mudanças de personalidade, tanto sob a forma aguda, durante crises (se houverem) ou, mais curiosamente, entre os ataques. A sintomatologia dessas mudanças de personalidade se dá, comumente, com episódios de êxtase místico, preocupações religiosas, compulsão em falar ou escrever sobre temas metafísicos, orações, estados de êxtase de graça (com sentimentos de bondade extrema).

Se as visões e alterações da personalidade forem muito evidentes nesses pacientes, podemos até falarem Transtorno Psicóticodevido a uma condição médica geral. Esse transtorno é caracterizado por alucinações ou delírios proeminentes, presumivelmente decorrentes dos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral sobre o cérebro.

A pessoa que vivencia uma realidade diferente e estimulada por outra pessoa, está sendo sugestionada ou influenciada. Em termos gerais, somos todos sugestionáveis. Isso equivale a dizer que o ser humano é, essencialmente, um imitador.

A força de persuasão da moda, por exemplo, é incontestável, e a própria propaganda e marketing só se viabilizam tomando por base a sugestionabilidade humana.

Mas a sugestão não tem nada a ver com o delírio e com as ideias deliróides. Nessas duas situações, francamente patológicas, a liberdade de deixar de lado o Pensamento Mágico e reassumir o Pensamento Lógico é impossível de ser feito pela força da vontade. Na sugestão, por sua vez, apesar da força do que fora sugerido é possível que a pessoa abandone esse tipo de pensamento de natureza mágica através de seu arbítrio.

Pessoas podem causar sugestões em outras, assim como ambientes também podem influir. Vejamos, por exemplo, as influências sugestivas do ambiente hospitalar, carnavalesco, militar, musical e, evidentemente, religioso.

As forças sugestivas têm vários graus de penetrância, indo da simples propaganda à lavagem cerebral. As pessoas também possuem graus variados de sugestionabilidade, desde o normal até o altamente sugestionável, esse último representado pelas personalidades histéricas.

O sucesso da sugestão está no fato de tratar-se de um apelo dirigido ao sentimento e às emoções, mais do que à razão. E será tão mais forte quanto atender necessidades emocionais. Mas, seja qual for o grau de sugestionabilidade ou de influência, como não se trata de delírio nem de ideia deliróide, será possível reassumir o pensamento realístico através do arbítrio.

Não podemos aceitar, com naturalidade, a afirmativa “não consigo” por parte do paciente. Diante disso temos duas opções: ou, de fato, ele não consegue deixar os pensamentos mágicos voluntariamente, caracterizando o delírio e não uma sugestão e, sendo assim, terá de ter obrigatoriamente outros dados clínicos; ou, certamente, se não tem esses outros dados clínicos necessários ao delírio será, de fato, uma sugestão.

Nesse caso a pessoa consegue sim, desvencilhar-se dos pensamentos mágicos, independente de afirmar que não consegue.  A autossugestão é a mesma coisa que a sugestão, porém, tendo como mola propulsora à influência de elementos internos, motivados pelos valores culturais junto com as necessidades emocionais, e não apenas elementos externos, motivados por outras pessoas.

Casos de sugestão e autossugestão podem ser representados por pessoas que perderam o sossego porque viram vultos na casa, que ficam apavoradas com o aparecimento de feitiço na soleira da casa, que sentem calafrios e perturbações depois de visitarem um terreiro de umbanda. Outras vezes, são pessoas que se julgam muito doentes e que melhoraram sensivelmente quando o último exame médico apresentou resultado negativo, pessoas que saram depois de benzimentos e simpatias, e assim por diante.

Fonte:        http://institutodeparapsicologia.com.br

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