Pantomnésia

Nosso inconsciente é um perfeitíssimo gravador, ao qual nada escapa, em qualquer fase de nossa vida. A própria palavra “pantomnésia”, na sua origem etimológica significa memória de tudo. Registra tudo e nada esquece. Por incrível que pareça essas gravações funcionam desde os primeiros dias de vida. Fizeram experiências com crianças de poucos dias, lendo pra elas longos trechos de livros. Mais tarde, já adultos, submetidos à hipnose, repetiram com perfeição o que em tão tenra idade ouviram sem entender absolutamente nada. Isso prova que o inconsciente de uma criança é um ótimo gravador.

Já Swedenborg (1688-1772) entreviu esse fato, hoje cientificamente comprovado. “Tudo aquilo que o homem ouve, vê ou sente de qualquer modo, insinua-se como ideias ou fins, em sua memória interior, sem ciência dele; e tudo aí se conserva, sem nada se perder, ainda que as mesmas coisas fiquem obliteradas em sua memória. A memória interior, contudo, é tal que nela se acham inscritos todos os fatos particulares e íntimos que em qualquer tempo pensou, falou e fez, e , mesmo os que lhe apareceram como uma sombra, com as mais minuciosas circunstâncias, desde a sua primeira infância à sua extrema velhice”.

Quase todos os casos de “já visto” (“dejá vu”) se explicam pela memória do inconsciente. É relativamente frequente o caso de pessoas que, chegando a determinado lugar, declaram que já o conhecem, sem nunca terem estado lá. E se fizermos testes exatos apuraremos que dão realmente certo.

O Pe. Oscar Quevedo pesquisou um caso no Rio Grande do Sul, que produziu confusão numa família pelo que sucedeu com uma de suas filhas.

Uma jovem de 16 anos ao visitar, certo dia, um grupo escolar, percebeu que já o conhecia, apesar de nunca ter estado nele. As professoras do grupo, impressionadas pelo fato, fizeram algumas experiências e, com efeito, a jovem descrevia as salas antes de abrirem-se as portas. havia somente uma falha: disse que uma sala era o gabinete da diretora, quando na realidade era o aposento onde se guardavam os utensílios para a limpeza. Os familiares da jovem estavam angustiados, porque alguns espíritas tinham-lhes dito que isso era prova evidente de que a menina tinha estado naquele colégio numa reencarnação anterior, teoria que eles, como católicos, não podiam admitir. Diga-se de passagem, como seria isso possível, se aquela escola ainda não existia?!

As averiguações que se realizaram comprovaram, em primeiro lugar, que só durante o primeiro ano de funcionamento do grupo aquele quarto que a jovem designava como gabinete da diretora o fora de fato. Atualmente, nenhuma professora do colégio sabia disso, pois todas eram mais recentes na casa. E foi precisamente naquele ano de inauguração do grupo, que uma tia da jovem esteve visitando o grupo, levando-a no colo, sendo ela então uma criança de uma ano de idade.

Além disto nosso inconsciente assimila questões difíceis. Ele é capaz de reproduzir, com toda perfeição, conhecimentos que o consciente ignora, como seja o caso daquele açougueiro “que num acesso de mania, recitava páginas e páginas da ‘Fedra’, de Racine. Curado de sua mania, por mais esforços que fizesse, não conseguia recordar-se de um verso sequer. Declarou ter ouvido uma só vez a leitura dessa tragédia quando pequeno”.

Nossa memória inconsciente funciona como gravador ao longo de toda nossa vida, até a extrema anciania, até a morte. Por vezes despertam lembranças esquecidas desde decênios.

Mesmo na lida diária, o inconsciente, através do sonho, pode ajudar-nos a reencontrar objetos perdidos. A hipnose, que atinge as camadas do inconsciente, é também, por seu turno uma via muito eficiente para achar coisas extraviadas. A literatura especializada é pródiga em referir exemplos ilustrativos. Concluindo, podemos afirmar que todos os atos normais, extranormais, paranormais, conscientes ou inconscientes, arquivam-se para sempre na nossa memória inconsciente desde os primeiros dias de nossa existência. É o que se denomina de “pantomnésia”, em parapsicologia.

(Trecho do livro: Panorama da Parapsicologia ao alcance de todos- Edvino Augusto Friderichs-Editora Loyola)

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